Não, não é medo de envelhecer (embora até haja uma ligeira agitação interior quando penso nisso, mas é outra conversa!…). É mesmo o espanto de ver o tempo passar a uma velocidade impressionante e sentir que não se tem qualquer controlo nisso. Só podemos mesmo desfrutar o momento! Vinha a pensar nisto quando fazia, uma vez mais, o percurso Braga-Maia pela A3. Desde que regressei do México, dei-me conta que conduzo a uma velocidade muito mais reduzida. Nada me apressa, mesmo com hora marcada ou com a necessidade de fazer meia dúzia de tarefas quando só há mesmo tempo para fazer metade. Sinto-me numa fase mais descontraída no que diz respeito ao “tempo”. Sim, gostaria de ter menos responsabilidades e poder dedicar mais desse tempo a moi-même, mas até fica mal queixar-me. Não me queixo. Somente por vezes desejava que o dia tivesse 48 horas para ter a oportunidade de fazer o que gosto (para além do trabalho...). Num flash, voltei à casa da minha Avó. Ali estava eu, de bracitos pousados no parapeito da varanda, distraída a olhar para as casas ao fundo da rua e a pensar. Pensava que andar na escola primária era muito mais chato que no infantário, porque tinha muitas “responsabilidades”. Claro que na altura não lhe chamava responsabilidades ou obrigações, mas era a vida dura de chegar a casa depois de uma manhã intensa de aulas com uma Professora que sempre me deu a sensação que não ia com a minha cara, e ter de fazer os “trabalhos de casa” em vez de poder desfrutar a tarde completa a brincar. É lixado!... É muito bom crescer, sem dúvida. Mas às vezes é mesmo lixado…

Moi-même no infantário! Como detestava esta bata...