Foto durante a viagem para a Escócia feita com a minha querida amiga Joana (2005)Daqui a uma semana, a esta hora (15h40), já terei chegado a Frankfurt. Estarei no início da minha longa espera para apanhar o voo de Frankfurt-Porto às 21h20. Como sempre levarei um livro, alguns artigos do trabalho e o meu MP3. No entanto, é muito provável que me sente e fique estática nessas 7 horas de espera, sem ler, sem ouvir música, quase sem me mover. Como é possível? Não faço a mínima ideia, é como quando vou ao Centro de Saúde. Sento e espero. Observo as pessoas, acções e reacções, e penso. Ui, farto-me de pensar e viajar. Quem viaja bastante de avião e passa por diferentes aeroportos e escalas, tem sempre episódios engraçados ou curiosos para contar. Eu tenho vários, mas entre todos recordo um com uma atenção especial que se passou em Fevereiro de 2005, quando o meu Avô faleceu. Estava na Irlanda, e ao receber a notícia decidi ir a casa no fim-de-semana, acima de tudo, para apoiar a minha família. Nessa altura não havia voos de Dublin para o Porto, e por isso fazia escala em Londres (Standsted) (onde ainda cheguei também a passar umas belas noites, no meio de uma multidão que parecia transformar aquele aeroporto num pequeno parque de campismo). Cheguei ao aeroporto e sentei-me postrada, com a partida do meu Avô no pensamento. Olhei para o lado e um assento depois encontrava-se uma miúda, talvez da minha idade, a ler um livro. Eu reparei na sua mala, antiga e com um típico ar português. E perguntam-me “como é uma mala antiga com um típico ar português?”, não saberia explicar. Foi um feeling. Olhei-a e disse para mim "deve ser portuguesa". Claro que só depois fiz um esforço para perceber que livro lia e aí tive a certeza. Não me recordo que livro era (sou péssima para detalhes) mas fiz-lhe um comentário em relação ao mesmo. Na verdade não me apetecia nada falar, mas apetecia menos continuar naquele silêncio interior tão pesado e castrador. Ela sorriu e revelou ser daquelas miúdas super conversadoras e bem dispostas com toda a gente. Houve um momento em que pensei para mim “para que fui meter conversa!?”, isso porque não estava com energia para tanto. Mas deixei-me distrair pela história da sua vida, pelas suas palavras e a sua dinâmica. Estudava medicina veterinária e contou-me peripécias do seu dia-a-dia como veterinária em Inglaterra. Depois de alguma conversa perguntou-me se não queria dar uma volta pelas lojas, pois tinha de comprar algo para a “sua sogra”, que não era sogra mas assim lhe chamava (eu sorria!). Paramos na famosa loja de acessórios que se encontra em cada canto da Irlanda e Inglaterra, Accessorize. Cada uma para seu lado. Agarrei uns brincos por uns breves segundos e namorei-os por outros tantos. Coloquei-os no lugar e segui a minha visita. Quando a miúda encontrou o que quis para a “sogra”, ao pagar, mostrou-me os brincos que tinha antes namorado e simplesmente me disse que se apercebeu que me tinham gostado e os queria oferecer. Eu retorqui dizendo que nem pensar, não tinha jeito nenhum. Ela respondeu que um dia tinham feito o mesmo por ela e a fez sentir tão bem que só desejava fazer o mesmo por outra pessoa. Claro está que, naquele momento, não pelos brincos mas pela atitude, encheu-me o coração e fiquei sem saber como reagir. Foi daquelas situações meio estranhas que nos passam na vida, só mesmo por isso... porque têm de passar e fazer-nos pensar. Tenho realmente histórias curiosas vividas em aeroportos e aviões...