No hay de otra, si no cumplir con nuestras obligaciones!
Na investigação, para além de todo o trabalho exigido no laboratório ou em frente ao computador para reunir, analisar e publicar resultados, há que ter a capacidade de o saber divulgar, expôr. Fascina-me quando em conferências ouço certos investigadores com uma desenvoltura invejável a explicar com clareza e sabedoria o seu trabalho, captando a atenção e curiosidade do público. Quantas vezes não estive em plenárias e pensava para mim "como gostaria um dia ter o poder da palavra para dar a conhecer o meu trabalho, a minha dedicação e esforço". E apesar de ter tido um supervisora irlandesa do mais rude que se possa imaginar, em que todas as reuniões parecia ter a necessidade de me fazer sentir uma ignorante (eu ainda acho que essa era a forma de se libertar de algumas das suas frustrações; no fundo, no fundo tudo o que aguentei até foi uma obra de caridade...), pelo menos ensinou-me algo de construtivo e útil para o meu futuro como investigadora dizendo-me: “serás sempre capaz de fazer uma boa apresentação do teu trabalho, só tens de praticar, praticar e praticar!”; e deu-me também algumas estratégias de como realizar uma apresentação sem mostrar o nervosismo que possa existir, e a postura a ter nessas ocasiões. Acho que em dois anos e meio, durante o meu mestrado, estes foram os ensinamentos mais proveitosos que tive por parte da minha supervisora; e o único incentivo que dela recebi em todo este tempo foi um well-done. Mas concentrei-me no que tinha de fazer e terminei o que tinha a terminar.
My first oral presentation at the 37th Annual Research Conference Food, Nutrition & Consumer Sciences, Cork, Ireland (6 September 2007); Não parece, mas bem ali ao fundo ao pé do "blackboard" sou mesmo eu :)
Esta passada segunda-feira comunicaram-me aqui na Universidade Autónoma de Coahuila que teria de dar um seminário sobre o trabalho que realizei desde Agosto de 2008 até ao presente momento. Já me imaginava a falar um par de horas no mínimo (e com tudo bem resumido, porque se vou a detalhes…). Mas avisaram que teria a duração de 40 minutos e outros 20 para perguntas. Claro que já esperava, antes de regressar a Portugal, que me pedissem uma apresentação do que “andava aqui a portuguesa a fazer” (assim me chamam alguns amigos em tom de brincadeira, "a portuguesa"). Por saber que a qualquer momento me pediriam a respectiva apresentação há muito que fui adiantando essa tarefa, e esta semana dediquei-a mesmo só a definir alguns detalhes e praticar o meu espanhol científico. Hoje foi o dia da apresentação e correu muito bem; cheguei mesmo a sentir um certo entusiasmo interior ao explicar cada objectivo e cada conclusão a que cheguei com o meu trabalho. Mas espero um dia possuir esse magnífico dom de falar em público e conseguir desfrutá-lo ao máximo. Quem sabe um dia!...