Wednesday, September 30, 2009

Um desejo...


Tenho muitos desejos, mas o mais recente era visitar a Riviera Maya antes de regressar a Portugal. Nem quis falar ou pensar muito no assunto porque não sabia se teria disponibilidade de tempo e tempo (€), e assim evitaria criar muitas expectativas para não sair desiludida. Quanto ao tempo é sempre uma questão de organização, e como é óbvio há prioridades (trabalho!...). Mas quem me conhece sabe que sou bem organizada e que quando meto uma coisa na cabeça é difícil esquecê-la! Este ano aqui no México, apesar de vários obstáculos e dificuldades, foi um ano produtivo em termos de trabalho, e por isso achei que tempo havia para realizar esta vontade. O outro tempo (€) esse também é uma questão de organização e boa gestão. Conclusão, para além de ter a oportunidade de conhecer mais alguns lugares especiais do México terei um encontro mais espectacular e mais especial ainda com duas pessoas que me são muito queridas, os meus amigos Sílvia e Valter. Embora não tenha a oportunidade de celebrar a vossa união no dia 3 de Outubro, vamos poder celebrar aqui todos juntos com muita paisagem linda, muita praia, passeio, salsa e merengue! Não terão fotos nossas no vosso casamento para recordar mais tarde, mas terão fotos nossas na vossa lua-de mel :)


E até que cheguem esses dias de descanso e passeio, continuar a trabalhar e sonhar...

Fotos do google (...por enquanto...:)

Monday, September 28, 2009

Mergulho...


E porque não gosto de despedidas, e hoje foi realmente o meu último dia em Camargo, fui dar um último mergulho aos filtros e distrair-me. Estava calor e o sol convidava mesmo a um bom mergulho nas águas frescas e translúcidas da nascente de Camargo. Pus-me a caminho e absorvi ao máximo toda aquela paisagem que me encanta; uma paisagem desértica, com uns verdes aqui e acolá, uns ranchitos com meia dúzia de vacas ali e além, e com alguns pequenos pueblos até chegar à nascente. Olhei uma vez mais o rio Conchos que o ano passado transbordou pelas chuvas intensas e cortou muitos dos acessos a Camargo e outras povoações. Disse-lhe baixinho para que este ano se portasse bem e não assustasse esta gente que vive pertinho dele...E quando achei que já estava a apanhar demasiado sol na cabeça e até já falava para um rio, prossegui para os filtros...


Rio Conchos


...e dei o meu mergulho...

Au revoir Camargo, a bientôt !

Sunday, September 27, 2009

Última visita...


...à familia mexicana en la chiquita ciudad de Camargo (pelo menos este ano, sem data de regresso prevista...). Já sinto uma espécie de saudade de algo que ainda faz parte do meu presente. Soa estranho não?


Vou ter saudades desta luz e destes cheiros,
das tortilhas de farinha de trigo frescas pela manhã,
das conversas animadas e malandras, dos sorrisos e das gargalhadas,
do rancho e dos campos verdes carregados de chile e milho,
das águas frescas e translúcidas da nascente,
do sol forte e do calor bom.

Já sinto alguma saudade...


...mas novas viagens virão...

Só sentimos saudade de algo ou alguém especial que fez ou faz parte da nossa vida. É bom sentir saudade...

Tuesday, September 22, 2009

Chuva




Vai chover...

Saturday, September 19, 2009

Viagens...


Há vários tipos de viagens. Esta minha última viagem foi pelo tempo. Estava eu a fazer um zapping para encontrar um programa na TV que acompanhasse bem a minha hot cake and glass of milk quando dou com a famosa sitcom The Love Boat no canal American Networks. Que delícia! Parecia regressar nesse instante ao sofá, na companhia da minha avozinha, para assistir a mais um desses episódios onde o romance e a diversão são uma receita explosiva de bom entretenimento. Esta série começou em 1977 e terminou em 1986. Era eu uma cachopita quando foi realizada, mas recordo-me muito bem de alguns desses episódios na companhia da minha avó!



E aqui ficam mais duas músicas de Jack Jones (cantor do tema The Love Boat) fazendo-me viajar no tempo with a smooth and romantic song “Shadow of Your Smile”, e também ao som de um bom jazz com “What Now My Love”!


Sweet!!!

(Vou passar o resto do dia a cantarolar The Love Boat!)

Friday, September 18, 2009

Hijoleeeeee...


...já não era sem tempo. I'm free again! Just joking... ;) Mas é bom saber que tenho mais um ano de visto e para o próximo mês regresso a Portugal. Valha-me santa paciência...

"Quem espera sempre alcança"...mas a lição aqui foi saber como esperar e como lidar com certas situações que não dependem de nós...

Wednesday, September 16, 2009

Viva México...


...e Viva Sagres! A cerveja, não a vila; não menosprezando a pequena vila de Sagres que nos enche os olhos pelas suas bonitas vistas, desta vez foi a cerveja que nos encheu, não os olhos, mas o estômago. Passo a explicar. Embora a Independência do México tenha ocorrido no dia 16 de Setembro de 1810, comemora-se este dia histórico na noite de 15 para 16. Como já mencionei em posts anteriores, uma festa mexicana que se preze não dispensa uma bela carne assada na brasa, cerveja q.b. e muita música. Ah! E boa disposição, claro. Este ano fizeram-me uma boa surpresa. Encontraram no HEB (uma cadeia de supermercados estadunidense conhecida pela variedade e qualidade dos seus produtos, comparando com os supermercados mais frequentados como Aurrera e Soriana) a bela cerveja portuguesa, Sagres! Não ando aqui por terras mexicanas em busca do que é português. Desde sempre me chamou à atenção experimentar tudo o que podia de origem mexicana; mas depois de 9 meses até soube bem tomar uma Sagres (embora em minha casa em Portugal se opte sempre pela Super Bock). Foi bem apreciada, não só por mim! E depois de algumas palavras do Presidente Calderón na TV que pareceram uma actuação forçadíssima baseada num texto repetido e hipócrita sobre liberdade e democracia, deu-se el Grito de la Independencia em todos os Estados da Républica do México.

Saboreando uma Sagres bem fresquinha, e se o meu Paizinho estivesse aqui diria: "só faltam os tremoços e os amendoins". Mas houve a rica azeitona preta e branca, e as tão apreciadas quesadillas en tortilha de farinha de trigo.


Las quesadillas, conhecidas aqui por quecas. Já lhes comentei o que é uma queca em português, e agora há sempre um sorriso malicioso quando perguntam "Quieres una queca?".


O resultado de algumas cervejas a mais e de alguma parvalheira boa. Para que não pensem que fui buscar um lençol e decidi que o Halloween chegou mais cedo fazendo-me passar por fantasma ou algo do género (até nem acho piada nenhuma ao Halloween!), explico-lhes que este foi un regalito dos meus amigos Ruth e Mário (na troca de presentes do Natal passado) em que me ofereceram um jorongo de lã, típico do México.

Representando o típico mexicano depois de uma festa...pura huasa... pinche Alex siempre bromeando! Riamo-nos à brava pensando que realmente esta é mesmo a imagem que os filmes ou os próprios souvenirs do México transmitem às pessoas sobre o povo mexicano; com o seu sombrero e com uma grande tosga de Tequila.



Tão fresquinha... a cerveja, eu já nem tanto :)

Y VIVA MÉXICO!

Monday, September 14, 2009

Ler e Relaxar


Apesar destes últimos tempos andar fartinha de ler tanto artigo científico e de passar tanto tempo em frente ao computador a escrever os meus relatórios, ando com muita vontade de ler. Mas ler algo que desperte a minha imaginação, que me leve a outros lugares… Trouxe alguns livros de Portugal e fui comprando outros por aqui. Dos livros que ainda não li ficam “A Lâmpada de Aladino” de Luís Sepúlveda (um regalito da minha amiga Joana) e “A Bruxa de Portobello” de Paulo Coelho. Vou começar pelo segundo. Por nenhuma razão em particular, mas gosto muito dos livros de Paulo Coelho. Tem uma escrita simples mas que prende. Preciso de algo light. Já li muitos dos livros de Paulo Coelho e os que mais me marcaram, talvez por coincidirem com certas situações que vivia na altura, foi “Verónica decide morrer” e “Onze minutos”. O último que li de Paulo Coelho, “Ser como o rio que flui”, é um livro de crónicas interessante que devorei entre algumas pequenas sestas e dois dedos de conversa com o companheiro italiano do assento do lado durante a viagem de Frankfurt para o México (as belas 11 horas…podiam ser onze minutos!). Ler e relaxar a mente!


Friday, September 11, 2009

Respirar fundo…


Respirar fundo e tentar não desgastar-me é a melhor forma de lidar com a burocracia mexicana!
Burocracia há em todo o lado, mas desorganização, falta de respeito pelas pessoas e corrupção só em determinados lugares. Nem me vou pôr aqui a contar detalhes de tudo o que passei para conseguir (ainda não o tenho comigo!) o meu visto que tive de renovar nos finais de Junho. Dois meses…dois meses de muito tempo e dinheiro perdidos. E perdido é mesmo o termo apropriado porque se tivesse seguido o meu plano B tinha sido tudo muito mais simples. Mas aqui a Silvia quis fazer as coisas bem, e levou o plano A adiante (como boa cidadã estrangeira!). Tratei da papelada para renovar o visto, quando ir aos EUA e entrar de novo no México me dariam os três meses de visto que necessitava antes de regressar a Portugal. Mas é tudo uma aprendizagem! Já disse muita palavra feia para mim, já praguejei o suficiente... Agora só me resta fazer um último pagamento exigido HOJE (pois lembraram-se à última hora que tenho de estar inscrita no Instituto Nacional de Migração) e espero segunda-feira ter o meu visto (caso saibam onde o metem; sim, porque perdi esta manhã com duas funcionárias a procurar a minha papelada pois não sabiam onde estava!)

Respirar fuuuuuuundo…ya, tranquila!

Tuesday, September 8, 2009

Também é preciso...


...relaxar, quebrar a rotina, esquecer o trabalho e as preocupações nem que seja por breves instantes. Cem quilómetros de auto-estrada. Cem quilómetros daquela paisagem que tanto me encanta e que levarei comigo. E assim, bem no meio do nada ficam as termas de San Joaquin.

A caminho das Termas de San Joaquin.


Nas termas de San Joaquin construíram um complexo muito simples mas muito bonito de casas decoradas com um estilo bem rústico, mas ao mesmo tempo, com um certo luxo e atenção aos detalhes. Para chegar às termas é necessário percorrer um pequeno trilho de tunéis onde nos envolve um certo misticismo pela luz que nos guia e o silêncio que nos acompanha (foi uma sorte ir numa segunda-feira, pois não havia ninguém - literalmente - nas termas).



A luz que nos guia pelo túnel.

E ao fim de alguns metros chega-se ao lugar onde reina um delicioso silêncio (sorte!) e relaxar deixa de ser uma miragem. Desconheço a composição da água, mas pelo odor tinha enxofre. As piscinas maiores estavam entre 40 a 44 graus centígrados. As mais pequenas, exclusivas para os hóspedes (diziam os avisos), não tinham marcada a temperatura, mas estavam de certeza a uma temperatura superior (porque me custou imenso meter na água, ao contrário das piscinas maiores). Aguentei os 5 minutos recomendados (quase se deu o verdadeiro fenómeno de "cozido à portuguesa") e fui bem depressa ao chuveiro provocar aquele maravilhoso choque térmico. Mais uns minutos na piscina grande e voilá: pele rejuvenescida, articulações no seu máximo, circulação activa e uma moleza descomunal! Tinha marcada a bela da massagem com pedras quentes para as 19h (que me ia custar os olhos da cara, mas valia pelo bem-estar...bom, deve valer porque nunca experimentei) e às 18h decidem avisar que o SPA estava em manutenção. Estava Zen, não ia deixar que isso me des-relaxasse, mas obrigou-me a uma breve visita à recepção e consequente queixa. Assustei civilizadamente o recepcionista (que me devia ter notificado com antecedência) e regressei ao meu descanso e reflexão.




Amanhecer soleado. Eu só queria luz! E bem cedinho, o regresso a Saltillo ao trabalho.


Valeu a pena. Fica só a vontade da dita massagem...

Monday, September 7, 2009

Retrato


Num canto entretida com as suas missangas e a sua arte (arte huichol) não se deu conta quando me aproximei. Perguntei-lhe se podia tirar o seu retrato. Um sorriso tímido e um abanar de cabeça suave autorizaram-me. Não me deixou captar o seu olhar; mas agarrei a sua expressão reservada e distante daquela foto, mergulhada naquela mistura colorida de vestimentas que tão bem caracteriza as indígenas mexicanas.



Contrastes. Indígena mexicana à entrada de uma casa moderna.


Friday, September 4, 2009

No hay de otra…


No hay de otra, si no cumplir con nuestras obligaciones!

Na investigação, para além de todo o trabalho exigido no laboratório ou em frente ao computador para reunir, analisar e publicar resultados, há que ter a capacidade de o saber divulgar, expôr. Fascina-me quando em conferências ouço certos investigadores com uma desenvoltura invejável a explicar com clareza e sabedoria o seu trabalho, captando a atenção e curiosidade do público. Quantas vezes não estive em plenárias e pensava para mim "como gostaria um dia ter o poder da palavra para dar a conhecer o meu trabalho, a minha dedicação e esforço". E apesar de ter tido um supervisora irlandesa do mais rude que se possa imaginar, em que todas as reuniões parecia ter a necessidade de me fazer sentir uma ignorante (eu ainda acho que essa era a forma de se libertar de algumas das suas frustrações; no fundo, no fundo tudo o que aguentei até foi uma obra de caridade...), pelo menos ensinou-me algo de construtivo e útil para o meu futuro como investigadora dizendo-me: “serás sempre capaz de fazer uma boa apresentação do teu trabalho, só tens de praticar, praticar e praticar!”; e deu-me também algumas estratégias de como realizar uma apresentação sem mostrar o nervosismo que possa existir, e a postura a ter nessas ocasiões. Acho que em dois anos e meio, durante o meu mestrado, estes foram os ensinamentos mais proveitosos que tive por parte da minha supervisora; e o único incentivo que dela recebi em todo este tempo foi um well-done. Mas concentrei-me no que tinha de fazer e terminei o que tinha a terminar.


My first oral presentation at the 37th Annual Research Conference Food, Nutrition & Consumer Sciences, Cork, Ireland (6 September 2007); Não parece, mas bem ali ao fundo ao pé do "blackboard" sou mesmo eu :)


Esta passada segunda-feira comunicaram-me aqui na Universidade Autónoma de Coahuila que teria de dar um seminário sobre o trabalho que realizei desde Agosto de 2008 até ao presente momento. Já me imaginava a falar um par de horas no mínimo (e com tudo bem resumido, porque se vou a detalhes…). Mas avisaram que teria a duração de 40 minutos e outros 20 para perguntas. Claro que já esperava, antes de regressar a Portugal, que me pedissem uma apresentação do que “andava aqui a portuguesa a fazer” (assim me chamam alguns amigos em tom de brincadeira, "a portuguesa"). Por saber que a qualquer momento me pediriam a respectiva apresentação há muito que fui adiantando essa tarefa, e esta semana dediquei-a mesmo só a definir alguns detalhes e praticar o meu espanhol científico. Hoje foi o dia da apresentação e correu muito bem; cheguei mesmo a sentir um certo entusiasmo interior ao explicar cada objectivo e cada conclusão a que cheguei com o meu trabalho. Mas espero um dia possuir esse magnífico dom de falar em público e conseguir desfrutá-lo ao máximo. Quem sabe um dia!...

Thursday, September 3, 2009

Sou de lugar nenhum...


Começa a aproximar-se o meu regresso a Portugal e torna-se inevitável não pensar nisso uns minutos que seja por dia. Há alguma ansiedade. Quando vivi na Irlanda, ir a Portugal era uma lufada de ar fresco para o espírito. A oportunidade de absorber toda e qualquer energia que me dava força para continuar. Mas havia sempre aquele sentimento de visita, que tinha de prosseguir com a minha viagem. Neste momento sinto que a viagem me levou a lugares muito diferentes, onde reina um dia-a-dia desprendido de materialismos, uma vida simples que só deixa espaço para querer conhecer o que ainda há por descobrir. Uma vez em conversa com um grande amigo, que de alguma forma me queria confortar mas confrontar também com a realidade de Portugal, dizia que isto de viver aqui e ali faz com que a perspectiva de regressar ao nosso país seja uma dura experiência. Não estou aqui a considerar os valores do meu país, nem é isso que está em questão. Considero-me afortunada por ter tido a oportunidade de estudar fora da minha cidade e do meu país, pois à parte de todas as boas e más experiências que vivi e me fizeram crescer, aprendi também a valorizar ainda mais as minhas origens. A verdadeira questão é que nos começa a invadir um estranho sentimento de que não pertencemos a lugar nenhum. Que podia estar em qualquer país de qualquer continente e sentir que aí pertenço. Mas depois, já quando nos sentimos quase como em casa, vem a vontade ou necessidade de mudar. Vou encarar bem o meu regresso, e vou estar bem em casa. Mas mentiria se dissesse que não penso na minha próxima viagem...Pensar e sonhar não custa!

A caminho da Serra de Arteaga (México 2008)